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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Aécio Neves mostra a Dilma o exemplo de Minas no setor elétrico



Comentário: 
Nesse artigo da Folha de São Paulo, o Senador Aécio Neves nos diz da atitude eleitoreira da Presidente Dilma e combate a forma pela qual ela agora quer resolver a sua promessa de campanha: Remunerando menos e comprometendo o equilíbrio da empresas elétricas. Aécio Neves é plenamente a favor de se baixar a conta da luz, tanto para a indústria como para as residências. Aécio que baixar os altíssimos impostos federais que incidem no custo final da conta.
O Brasil é o campeão mundial de impostos. Aécio Neves luta contra essa terrível situação.
Leiam o artigo abaixo: ink: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/aecioneves/1198626-energia-no-palanque.shtml


Energia no palanque

Aécio Neves


Pouco antes das últimas eleições, a presidente Dilma Rousseff anunciou, em rede de rádio e TV, a decisão de reduzir em 20%, em média, a conta de luz dos brasileiros. Por mais que ficasse claro o viés eleitoral de uma medida a ser implementada apenas seis meses depois, ela mereceu aplauso de todo o país. A grande surpresa veio com a edição da medida provisória 579, que altera radicalmente o marco regulatório do sistema elétrico nacional.

Graves equívocos permeiam a proposta. A começar por reduzir a poucos gabinetes a responsabilidade por mudanças tão profundas, ignorando o Congresso, as empresas do setor, especialistas e vozes qualificadas do seu próprio partido e do governo, alijadas do processo.

A retórica não conseguiu esconder o alto risco que as mudanças carregam. Entre os que se levantam para alertar o governo está a voz corajosa do professor Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras no governo Lula. Ele, como todos nós, concorda com a necessidade de redução do custo da energia, mas alerta que as medidas anunciadas não conseguirão alcançar esse objetivo; que a capacidade de investimento das empresas (leia-se ampliação da oferta, qualidade e segurança dos serviços) ficará comprometida, havendo o risco de desemprego no setor. Ou seja, no fim, quem vai pagar a conta --alta-- é a população. A energia mais cara é aquela que o país não tem.

Com dificuldades de enfrentar críticas e o debate à luz do dia, o PT optou, mais uma vez, pela conveniência de torcer a realidade para que ela ganhe os contornos que lhe interessam. Sem argumentos, preferiu estimular a desinformação criando um mantra a ser repetido com ferocidade pela claque Brasil afora: "O PT quer baixar a conta de luz e o PSDB não deixa!"

Mentem. Na velha tese de que os fins (a permanência do partido no poder) justificam os meios, legitimam a mentira como arma do embate político e desrespeitam os brasileiros, em nome de quem dizem agir.

Pouco importa a desconfortável constatação de que governos do PSDB, como São Paulo, Paraná e Minas Gerais, pratiquem a isenção de impostos nesta área em patamares superiores à de governos do PT. Em Minas, metade das famílias não paga ICMS nas contas de luz. Tampouco que as oposições venham há muito cobrando redução dos cerca de dez tributos federais incidentes sobre a conta de luz.

É o velho PT agindo como sempre fez. Em época de crise, invente um inimigo e desvie a atenção dos seus problemas. Aí está, de novo, o discurso do nós --os bons-- contra eles --os maus. O governo começou a tratar esta questão, tão séria e complexa, em cima de um palanque e, infelizmente, ainda não desceu dele. O país não merece isso.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.
Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG. Escreve às segundas-feiras na página A2 da versão impressa.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Técnicos de Lula criticam política energética de Dilma


MP 579: “Pior que kWh caro é a falta de energia que ocorrerá no futuro”, alertaram os técnicos sobre os riscos da proposta do governo.

MP do setor elétrico: em debate redução da conta de luz

Fonte: Folha de S.Paulo e O Globo
 MP 579: Técnicos de Lula são contra Dilma e falam em apagão
MP: 579 - Pingelli explicou que na carta o grupo apresenta uma proposta que permitirá redução substancial nas tarifas de energia, sem contudo, comprometer a situação financeira das empresas.
MP 579 – Não é de espantar a falta de bom senso do Governo do PT a lidar com a imposição das mudanças no setor elétrico. A posição da presidente Dilma em reduzir a conta de luz contraria até o grupo de assessores que atuaram no Governo Lula, especialistas em energia. Em carta encaminhada ao Planalto, os especialistas no setor elétrico brasileiro pedem revogação da MP 579 e a proposição de um projeto de lei. Os técnicos afirmam que há risco de o país passar à conviver com onda de apagões.
Segundo o senador Aécio Neves, o Governo do PT nunca se preocupou com a redução de encargos para reduzir a tarifa da conta de luz.
“O governo do PT demorou doze anos para estar atento a essa questão e, quando busca fazê-lo, faz de forma atabalhoada. Talvez devesse ouvir o grande guru petista do setor, o senhor Luiz Pinguelli Rosa, que foi presidente da Eletrobras no governo Lula e que chamou essa MP de Dilma de equivocada porque não leva em consideração a necessidade das empresas continuarem investindo”, argumentou Aécio.
De acordo com matéria publicada pela Folha de S.Paulo e O Globo, os especialistas e acadêmicos liderados por Luiz Pinguelli Rosa solicitam recuo do governo em relação às mudanças no setor elétrico por meio da MP 579. As perdas das concessionárias de energia podem chegar a mais de R$ 8 bilhões.
Leia trecho da carta:
“Vimos manifestar nossa grande apreensão sobre as consequências que, com grande probabilidade, podem decorrer das alterações.
Dentre elas estão riscos regulatórios (contratos poderiam ser contestados) e sistêmicos (apagões, por exemplo).
“Todos nós sabemos, a duras penas, que não existe plano B para energia elétrica. Eletricidade não tem substituto e pior que kWh caro é a falta de energia que poderá ocorrer no futuro.”
Fonte : Blog : jogodopoder.wordpress.com

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Ex-presidente da Eletrobrás critica o projeto de Dilma para o setor elétrico


Ex-presidente da Eletrobras no governo Lula disse que projeto de Dilma está errado

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, nesta quarta (21), o diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras no governo Lula, Luiz Pinguelli Rosa, afirmou que a “queda de 20% para a indústria é ficção e o consumidor não vai sentir os 16% prometidos por Dilma”.

De acordo com Luiz Pignelli, as medidas propostas por Dilma para o setor elétrico não irão reduzir os preços, inviabilizarão novos investimentos nas empresas geradoras de energia e irão gerar desemprego e produzir “sucessivos apagões”.

Leia a entrevista completa de Luiz Pinguelli Rosa.


Governo deve rediscutir tarifas de energia, diz ex-presidente da Eletrobras
DENISE LUNA
DO RIO

O diretor da Coppe/UFRJ e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, apoia a briga da presidente Dilma Rousseff para reduzir as tarifas de energia elétrica, mas defende que o governo antes apure a receita mínima que as empresas do setor precisam para se manterem competitivas, sob risco de o país voltar a conviver com sucessivos apagões, como já vem ocorrendo em pequena proporção.

Opinião: MP da energia quebra contratos e joga a conta para os Estados

Para Pinguelli, a queda do preço da luz deveria vir pela redução de mais encargos, principalmente estaduais, que segundo ele "escorjam as empresas elétricas".

O acadêmico vê a privatização como a origem do mal das tarifas altas, comprovada pelo último ajuste da Light, de 11,8%, mas diz que o mal agora é a falta de debate, inclusive por parte dos movimentos sindicais, porque haverá demissões.

Para ele, a queda de 20% para a indústria é ficção e o consumidor não vai sentir os 16% prometidos por Dilma, já que a conta de luz em 2013 vai subir pelo grande uso de usinas térmicas neste ano.

Folha - O senhor já participou do governo e presidiu a Eletrobras. Como está vendo essa polêmica criada em torno da redução de tarifas?

Luiz Pinguelli Rosa - O princípio de reduzir tarifas é correto, porque nossa tarifa é caríssima. O problema veio com a privatização. Os contratos, principalmente para a distribuição de energia, onde as maiores empresas foram privatizadas, como Light, CPFL, Eletropaulo, foram muito favoráveis a essas empresas, porque a ideia era atrair o capital estrangeiro. Tem correções que são muito altas, como essa da Light. Mas isso é só um pedaço da história. O outro pedaço são os encargos, que muitos deles deveriam ir para o Tesouro e vão para o consumidor, como o Luz para Todos, o Sistema Isolado. E, finalmente, os impostos estaduais, esses são os piores, os Estados escorjam as empresas elétricas.

O consumidor residencial brasileiro chega a pagar, no caso da classe média, quando não tem tarifa social, cerca de R$ 400 reais o MWh, mas a geração custa R$ 68 o MWh, como está sendo em Belo Monte [hidrelétrica em construção no Norte do país].

Onde o governo errou?
Faltou debate, os prazos são muito apertados e o cálculo das tarifas [para redução] foi feito como se cada usina tivesse uma tarifa individual, mas há uma questão sistêmica, o Brasil tem um território enorme, essa energia viaja numa distância enorme. Furnas tem linhas enormes de transmissão, isso vai inviabilizar a engenharia de Furnas.

E qual seria a solução?

O governo deve voltar atrás, rediscutir as tarifas e talvez atacar por outro lado. Tem que discutir qual a remuneração necessária mínima para ter uma sobrevivência econômica adequada das empresas.
Não é uma questão de lucratividade, eu não estou preocupado com a lucratividade do investimento, mas com a viabilidade da empresa. Se a lucratividade for negativa a empresa é inviável. E vai se perder competência técnica, porque com essa tarifa nova Furnas vai ter que demitir engenheiros, vai perder memória técnica e piorar a performance delas, que já não está boa.

Mas as demissões não teriam reação por parte dos trabalhadores, principalmente de Furnas, que na época da privatização reagiram e conseguiram reverter o processo?

O ator que está faltando nesse debate é o movimento sindical, que já foi atuante e agora está enfraquecido. Houve uma acomodação muito grande dos sindicalistas, porque o governo tem origem sindical, os sindicalistas se sentem governo e ficaram mudos. Não sei como esse jogo vai acabar.


Mas a Eletrobras, que é a principal geradora, já concordou em aderir.

Ela só pode aderir, ou o cara perde o emprego. As federais todas vão aderir. Mas você pega por exemplo Furnas. A energia gerada tem preço médio vendido de R$ 80 o MWh. Metade das usinas de Furnas são amortizadas ou quase amortizadas, ou seja, ela vai passar a ter um valor médio de R$ 5 o MWh para essas usinas e continuar vendendo metade por R$ 80. Então Furnas vai ter um preço médio de R$ 40 o MWh, a receita da empresa vai se reduzir brutalmente.

A Eletrobras vai ter dificuldades, ela controla Furnas, Chesf e Eletronorte, todas vão ter dificuldades enormes, eu acho que vai haver problemas muito sérios.


O que pode acontecer?
Já estão acontecendo problemas, isso é falta de engenharia. O que vai haver é que não vai ter como operar o sistema todo, o país é imenso, como fazer a manutenção da linha, dos transformadores, eles já estão tendo problemas. O Zimmermann [Márcio Zimmermann, ministro interino de Minas e Energia] fez uma declaração que o último apagão foi um erro técnico. Isso é falta de engenharia, isso vai piorar, e muito.

Em contrapartida os preços das tarifas vão cair, ou não?

Na indústria esse número de 20% é fictício, não existe uma tarifa para energia da indústria, ninguém sabe como isso vai ser aplicado. Trinta por cento de energia elétrica da indústria brasileira são de consumidores livres, que compram diretamente dos geradores, produtores, em contratos confidenciais, e com certeza é bem menor do que a gente paga.
Nas residências esses 16% prometidos pela Dilma também não vão existir. Com o despacho das termelétricas esse ano, a conta vai subir bem no ano que vem, não vai dar para sentir os 16%.

E como a maioria das usinas não vai aderir ao plano do governo, o governo vai ter que licitar e as tarifas vão continuar altas, porque quem comprar vai ter que amortizar o investimento.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo




21 de novembro de 2012